Resenha: MSP50


Faz pouco tempo que acabei de ler o álbum em comemoração aos 50 anos de carreira do Mauricio de Sousa, o MSP50, e cara, vou lhe dizer… fiquei surpreso com o resultado!

A ideia de reunir vários artistas para desenhar e roteirizar as histórias da Turma da Mônica foi genial. O jornalista e editor Sidney Gusman, que aliás vem fazendo um trampo muito responsa à frente das edições e até da divulgação dos trabalhos relacionados à Turma da Mônica, é que foi o responsável pela “festa surpresa”, e acho que ele acertou em cheio no presente!
Acredito que para alguém que vem publicando seus personagens à tanto tempo, essa é uma grata surpresa! Imagino quanta emoção que ele teve enquanto lia as fantásticas páginas deste especial. É uma ode de puro agradecimento ao cara que incentivou e inspirou vários artistas do Brasil.

A homenagem é mais do que merecida, e apesar do time de grandes artistas, não dá pra dizer que ficou 100%, mas chegou bem próximo. E eu vou explicar o porquê daqui a pouco.
Vamos à resenha!

O álbum “abre” com a primeira tirinha que o Mauricio fez, publicada em 1959, com os personagens Franjinha e Bidu e um prefácio escrito pelo próprio Sidney Gusman, que editou a obra. Os dois personagens voltam na primeira história feita pelo criativo Laerte, que utiliza da metalinguagem para contar a aventura do menino inventor e seu cãozinho azul.
Curti muito essa HQ. Como abertura ficou perfeita!
A segunda história mostra o Cebolinha numa das muitas enrascadas que ele está acostumado a entrar, só que dessa vez ele é inocente. Bom… pelo menos no começo da história ele é. É engraçado como foi mostrado o descontrole que ele tem quando está com o Sansão nas mãos!
Achei que foi um dos melhores roteiros apresentados, pois ficou perfeitamente reconhecível com que estamos acostumados a ler da turminha. Os desenhos de Rodrigo Rosa não são ruins, mas causam um pouco de estranhamento no começo.
Deve ser porque é difícil desvincular a imagem da Turma assim de primeira. As cores aquareladas dessa história ficaram de primeira!
Flavio Luiz mostra uma história do Astronauta que ficou com um “quê” muito forte daquelas histórias cósmicas e de realidades alternativas comuns na Marvel. Pelo menos, foi o que passou para mim. Muito boa!
Aliás, o Astronauta é uma personagem muito recorrente nesse álbum. Temos ele participando da poética história apresentada por Mascaro até a filosófica feita pelo Marcelo Campos e Renato Guedes.
Parece que muita gente, assim como eu, curte bastante a personagem.
Cheguei a roteirizar uma HQ estrelada pelo Astronauta, mas antes de mandar pro Mauricio, vou finalizá-la e mandar completinha com cores, letras e todo o resto.
O destaque dessas histórias interplanetárias fica por conta da história de Manoel Magalhães e Osmarco Valladão. Me lembrou muito as histórias de Tim Tim, por causa do traço parecido com o de Hergé. Fiquei curioso para ler mais coisas deles. Já tinha ouvido falar muito bem de “The Long Yesterday” da dupla. Hergé

Apesar de eu curtir muito seu trabalho, fiquei meio incomodado como o fato de Antonio Eder ter utilizado, para este especial, os mesmos elementos de uma história já feita para a personagem Gralha, numa história do Astronauta. Quando bati o olho, achei um pouco de falta de criatividade da parte dele, mas enfim, a ideia da história é muito boa e talvez ele tenha pensado que é melhor utilizá-la num veículo mais poderoso. Porém, acho que ele pecou um pouco por isso.

Os pontos negativos ficaram por conta dos autores que utilizaram em suas histórias, seus próprios personagens coabitando no mesmo universo da Turma da Mônica. Pareceu me mais uma propaganda descarada do próprio trabalho do que uma homenagem. Mas talvez pelos seus méritos como autores consagrados, acabaram sendo aceitos como boas histórias, que no meu entendimento, não rolaram como tal. A não ser a do Antonio Cedraz, que conseguiu amarrar bem o tema de falta de chuva no sertão com o medo que o Cascão tem dela! História muito bem desenvolvida!
Outro que me decepcionou, foi meu querido mestre Ziraldo
Sua história ficou muito fraquinha. E convenhamos, arremessar um gato (sem ser de pelúcia como o coelho da Mônica) na cabeça do Maluquinho não é um exemplo muito legal para passar para as crianças, concordam? A Luisa Mell não iria gostar. =)

Na história do Laudo, apesar de eu não ter curtido o desenho, achei o roteiro muito legal! Nela, o Louco explica que não existe uma maneira certa ou errada de se enxergar as cores. Cada um tem seu jeito de vê-las. Acho bacana quando uma HQ é utilizada para ensinar algo.
E por falar nessa divertida personagem, ele ainda aparece ao lado de Bugu, no maravilhoso traço de Gustavo Duarte e em outras histórias como na divertida aventura apresentada por Jean Galvão, que me lembrou as tantas histórias que eu gostava quando a personagem encontrava o Cebolinha, como na fantástica “Tempirada de Caça“, protagonizada pela dupla Cebolinha e Chico Bento, feita pela talentosa Julia Bax, onde ele “encarna” uma figura folclórica das matas!
Eu achei estranha a história feita pelo Fabio Lyra para a personagem, que apresenta um clima bem sessentista e psicodélico, bem ao estilo “Scooby-Doo“, não só pela representação da Tina parecendo meio que a Velma bonitinha, mas pelo furgão a la Mystery Machine dirigido pelo Louco. Aliás, há uma falha grave no desenho da personagem dirigindo o furgão. Primeiro, ele aparece dirigindo pela direita, ao estilo utilizado na maioria dos países da Europa, e depois ele volta com a direção ao posicionamento normal, como é utilizado por aqui.

O Chico Bento também aparece bastante!

E os destaques ficam por conta da charge feita pelo Dalcio, aqui de Campinas, da bem desenhada história, no melhor estilo mangá, feita pela Erica Awano e da emocionante história feita pelo Vitor Cafaggi.

Achei a história dos pais do Cebolinha, feita por Wander Antunes e Fabio Cobiaco, muito boa! Mas os que detonaram mesmo, na minha opinião, foram os artistas: Spacca, simulando um traço perfeito no estilo dos Estúdios MSP, numa história do Horácio, a personagem preferida do Mauricio, Fernando Gonsales, mostrando de forma divertida como só ele consegue, o oposto, que cada um tem seu próprio traço para desenhar a Mônica, Orlandelli em “Cadê o Capitão Feio?” matou a pau e outro grande destaque é a HQ do Ivan Reis, que levou seu excelente traço de quadrinhos de super-heróis pra uma HQ que tem um quadro pra lá de impactante, a Mônica detonando a União da Justiça com uma única coelhada!!! Perfeita!


Por falar em traço, Samuel Casal me agradou bastante na história do Penadinho e sua turma. Casou perfeitamente com o clima sombrio dela.
José Aguiar fez uma história bem legal com a Magali, com participação do Anjinho e do Cranicola. Otoniel Oliveira apresentou uma da Marina, personagem baseada na gatíssima (com todo o respeito) filha do Mauricio.

Outras que me agradaram bastante, foram as tiras do Benett, a história futurística apresentada pelo Fabio Yabu, criador dos Combo Rangers e das Princesas do Mar e do Raphael Salimena com seu Horácio.

Por fim, mas nem de longe a menos importante, está a história do Astronauta feita pelos gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon.
Essa foi a história que mais me emocionou e é de longe a minha preferida, por dois motivos: Primeiro pelo traço dos caras, do qual eu sou fã confesso e segundo pelo forte sentimento que ela me despertou, depois de ter visto a num dos quadros, a roupa de cama do menino Astronauta! Pô, eu tinha uma igual! Quase não deixava tirarem para lavar! Isso automaticamente me remeteu à minha infância!
Além de ter me identificado muito com o roteiro!

Enfim, é um álbum fantástico! E por ter tantas histórias boas e por trazer tantas lembranças boas e sadias da época em que eu devorava os gibis da Turma da Mônica, faz com que valha cada centavo gasto!
Parabéns pelo trabalho aos artistas que compõe o álbum!
Parabéns ao Sidney pela edição. E, principalmente, parabéns a Mauricio de Sousa e a todos do seu estúdio pelos 50 anos de divertidas histórias!
E que venham muito mais!
Nota 9!
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