Usagi Yojimbo

Tenho estado afastado do blog por um tempo, pois além de estar trampando muito, quando tenho um tempo, acabo fazendo algumas coisas relacionadas aos meus projetos em Hqs. Mas uma coisa que não deixo de fazer, é ler.
E agora entre o final de Março e começo de Abril estive lendo uma grande HQ. Aliás três!!!
E achei que seria legal compartilhar com vocês da experiência.

Primeiro é bom dizer que a descoberta dessa HQ se deu através de várias dicas dadas nos livros do grande Scott McCloud.
Estou falando do coelho samurai Usagi Yojimbo, um personagem antropomórfico baseado num samurai de verdade chamado Miyamoto Musashi. Fiquei curioso se aquele personagem orelhudo era assim tão bom quanto Scott declarava e resolvi comprar para avaliar.
Achei três volumes, mas como eu estava durango no dia escolhi comprar apenas dois.

O primeiro que li foi “Ronin”. Não sei se existe uma sequência certa para essas hqs, mas me baseei na data das capas para começar a leitura. Ronin é de 1986/87 e acabei lembrando durante a leitura que era a mesma época em que as Tartarugas Ninjas estavam estreando um desenho animado na TV e já fazendo certo sucesso.
Na verdade, tanto Usagi quanto as Tartarugas estrearam em 84 em quadrinhos. E acho que uma coisa tem haver com outra no final. Muita coisa lida ali remete às Tartarugas. Tanto que Usagi acabou participando do desenho das Tartarugas e elas numa hq do coelho samurai.
Mas Usagi é bem melhor que as verdinhas nos quadrinhos, com certeza.

Achei os desenhos de Stan Sakai muito bons. Com certeza ele não é um desenhista preguiçoso e taí o toque pra galera que quer ser desenhista. Os cenários são espetaculares, muito bem detalhados. As linhas, os traços, as rachuras muito bem distribuidos. Excelente!
Agora entendi. Não foi à toa que McCloud cita Sakai em seus livros.

Existe muita ação nas histórias e consequentemente lutas… mas, apesar disso, uma curiosidade é que as lutas são leves e dificilmente se vê sangue, o que pode desagradar alguns.

Algumas lembraram muito as lutas retratadas em outra HQ. A do bárbaro Groo, desenhado por Sérgio Aragonés. Com o passar do tempo acabei descobrindo que Sakai é fã de Aragonés e muito do que ele apresenta é uma homenagem ao mestre. Um Groo no melhor estilo “suíno” chega a cruzar com Usagi na HQ Ronin.

Destaque dessa edição para as histórias “O caçador de recompensas I e II” onde aparece o personagem Gennosuke, um rinoceronte mercenário, mestre em Kenjutsu e outra história muito interessante é a que apresenta Ino, “O Porco Espadachim Cego“.

A outra edição traz o nome do código de honra que regia a vida dos samurais, “Bushido“.
Nela é mostrado o retorno do espadachim cego e a fantástica e aterrorizante “A lâmina dos deuses” que apresenta o personagem demônio que aparece no final da hq Daisho, lançada recentemente.

Aliás, pouco foi publicado do Coelho Guarda-Costas aqui no Brasil que já chegou ao número 100 lá fora, no final do ano passado. Sei que a Via Lettera publicou esses três volumes, que são: Ronin, Bushido e Samurai. Essa última é a que eu não tenho.
Vi recentemente, na FNAC, uma que foi lançada pela Devir, chamada “Sombras da Morte” da qual participam as Tartarugas Ninjas.

Por fim, vamos falar de Daisho.


Daisho


Comprei essa na semana passada.
A revista está fantástica! Os desenhos estão melhores, a ação e o roteiro estão redondos e se você, assim como eu, se encanta pela cultura e pelo folclore nipônico, pode comprar sem erro.
Aliás, aconselho a comprar todas essas que falei logo acima! (Via Lettera e Devir, quero a minha parte em quadrinhos, pelo jabá, hãn?!)


A edição abre com uma história bem Taoísta, mostrando um monge que ensina Usagi sobre a música de uma flauta antiga e compartilha com ele de seu maior sonho, ouvir a
“A Música do Céu”. A próxima mostra Usagi envolvido num duelo por dinheiro, o que achei ser a continuação de alguma outra história da qual eu ainda não li.
A história que comanda essa edição é sobre suas espadas, daí o nome da revista: Daisho, que significa o conjunto das duas espadas usadas pelos samurais, a mais longa, chamada de Katana e a menor chamada de Wakizashi.
Um enraivecido Usagi sai à caça do líder de um grupo de bandoleiros que as roubou e para recuperá-las, ele se unirá a dois mercenários. Um deles muito conhecido de quem acompanha suas aventuras.
Os detalhes de como uma espada de samurai é feita e do que ela representa para o samurai é uma divertida lição de História!

Portanto, Usagi Yojimbo, não é mais uma história de “bichinhos engraçados”. Apesar do humor, as histórias têm ação, muita ação e por vezes é emocionante. E o aspecto histórico de Usagi é fantástico, tornando as histórias mais autênticas, apesar de serem estreladas por animais falantes.

Stan Sakai é um velhinho muito criativo! Eu me identifiquei muito com ele, pois é mais ou menos isso que quero fazer com meus personagens samurais. Além disso suas maiores influências são quase as mesmas que as minhas, entre elas Sergio Aragonés, Milo Manara, Moebius, Jack Kirby, Carl Barks e Akira Kurosawa.

Stan também é um premiado letrista por seu trabalho na série Groo, de Sérgio Aragonés, nas tiras dominicais do Homem-Aranha e em Usagi Yojimbo. Recebeu vários Eisner Awards e um Inkpot Award.

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